Evoluir
Abril 2007 | Nº18
 

 
Constituiu-se como Serviço em 1974, e desde aí tem desenvolvido acção relevante na Nefrologia Portuguesa, não só em actividades autónomas - nefrologia clínica, hemodiálise e outras técnicas de depuração extracorporal, diálise peritoneal, mas também em programas transversais como a transplantação renal, renal e pancreática e renal e hepática, em colaboração com a Cirurgia Vascular, Urologia, Cirurgia 3, Anestesia, além de todos os outros serviços do hospital. Tem também tido uma colaboração próxima e fundamental do Serviço de Anatomia Patológica. Em todas estas áreas tem desenvolvido investigação relevante. Tem também longa tradição na formação quer pré graduada, com 2 regentes de cadeira do curso de Medicina do ICBAS, e actualmente com 8 assistentes, mas também pós graduada com formação de nefrologistas e enfermeiros de nefrologia da nossa instituição e de outras. Tem elementos presentes em várias instâncias nacionais e internacionais, de que destaco a presidência do colégio da especialidade de Nefrologia da Ordem dos Médicos, a presidência da Sociedade Portuguesa de Transplantação, a comissão científica da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, a presidência da Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Diálise e Transplante e o board da Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal.

A linguagem e as práticas da Qualidade já não eram estranhas ao Serviço. O Hospital Geral de Santo António EPE, já estava acreditado pelas Normas Internacionais do então King's Fund, e muito trabalho documental estava feito, mas obviamente era genérico.

A oportunidade para a certificação surgiu em Junho de 2005. Inicialmente solicitada para a Unidade de Diálise, foi-nos lançado o repto de certificar todas as actividades do Serviço. E porque gostamos de desafios, com algum receio, mas sem hesitação, aceitamos mais este. Até porque percebemos que não estávamos sós: contámos com o apoio imediato do Engº Faceira Guedes, da XZ Consultores e da Engª Sílvia Moutinho, recém chegada ao Gabinete da Qualidade do Hospital, e depois do Engº Daniel Silva.

O primeiro grande desafio foi entender o espírito da NP EN ISO 9001:2000, e aceitar o seu peso burocrático.

O segundo foi aplicar este espírito a várias actividades do Serviço, e conseguir individualizar aquilo que até à data era pensado em conjunto, e sem ter modelos a seguir, pois não há ainda tradição de certificação na área clínica não laboratorial.

Assim, identificámos 8 processos: Internamento, Consulta Externa, Consulta Interna, Actividades de Nefrologia no Transplante Renal, Diálise (hemodiálise e diálise peritoneal), Aprovisionamento, Manutenção e Gestão Científica (incluindo formação, ensino pré e pós-graduado e investigação).

Sobre estes estruturou-se, organizou-se e documentou-se as práticas, muitas delas já suportadas por documentação, que a propósito foi revista. Criaram-se muitas novas instruções de trabalho e impressos. Nas actividades mais complexas foram criados manuais. Foram definidos indicadores de gestão. Sempre que necessário foram desenvolvidos instrumentos de controlo como inquéritos, folhas de recolha de dados para suportar os indicadores definidos. Um aspecto importante destas actividades é que foram frequentemente feitas em forma de brainstorming com ampla participação dos elementos do serviço, naturalmente sob a orientação indispensável dos técnicos da qualidade.

Foi nomeado um GQL (gestor de qualidade local) e para cada processo foi definido um owner (e um co-owner quando apropriado). Foram definidos os conceitos de não conformidade e de oportunidade de melhoria, os contextos de aparecimento e a sua gestão.

E toda esta estrutura foi concebida na perspectiva da satisfação dos interesses dos nossos doentes (perdoem-me os fãs do termo utentes ou clientes …).

O terceiro grande desafio foi pôr esta máquina em funcionamento, pois a integração destes procedimentos documentais na prática diária de um serviço de acção médica com 18 médicos, 40 enfermeiros, 12 auxiliares e duas secretárias administrativas, com laboração 24/24 horas e apoio administrativo apenas 36 horas por semana não é fácil. Acredito que a informatização do processo, já pensada, possa facilitar a nossa tarefa: nem sempre é fácil encontrar um impresso ou onde guardá-lo durante um fim-de-semana, mas a boa rede informática do hospital garante com facilidade um terminal onde emitir uma não conformidade ou uma proposta de melhoria, instrumentos vitais para "alimentar" o sistema.

Valeu a pena e o resultado está à vista - a concessão da certificação.

O quarto e talvez maior desafio começa agora. Estamos cientes de que a concessão da certificação representa "os mínimos". Agora é trabalhar com as regras que criámos. E repensar continuamente a organização dos processos.

O que temos a ganhar?

- Um maior controlo sobre a nossa actividade, uma estrutura organizada de gestão participada e um sistema de suporte à melhoria contínua de qualidade.




António Cabrita
Director do Serviço de Nefrologia do HGSA

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